ENSINANDO COM PRAZER
A função de docente em instituição de ensino superior é vista por mim como uma espécie de sacerdócio. Claro que não estou considerando o salário, pois aí teríamos que acrescentar que o nobre ofício estaria vinculado à ordem franciscana; ou a qualquer outra que identifique que o ser, importa mais que o ter.
De fato, vivenciar a docência em sua total plenitude pede uma cota adicional de abnegação, haja vista que a matéria prima a ser trabalhada é o ser humano. Como educadores, cabe-nos contribuir para que o produto final apresente-se não apenas apto ao exercício da profissão escolhida; mas principalmente otimizado, enquanto cidadão ou cidadã.
Na área de Saúde esta premissa agrega um valor extra; que não apenas confirma sua veracidade, mas impõe que jamais abdiquemos de exercitá-la (e eternizá-la) na prática diária: humanização.
É bastante fácil de entender este diferencial: estamos formando seres humanos que trabalharão diretamente em (e com) seres humanos. Sendo assim, parece legítimo que durante o breve período de graduação, a relação professor/aluno já passe a funcionar como um laboratório de convivência, cujo único objetivo seja aproximar e transformar docentes e discentes, em humildes aprendizes de uma duradoura lição chamada VIDA.
À medida que o tempo passa, venho percebendo como isso é simples e fácil de ser obtido. Pena que não possua fórmula ou receita pronta; pois senão já teria sido publicada em algum periódico internacional qualis A.
Cabe aqui um direito a réplica: – se estamos analisando o relacionamento entre pessoas que circulam em um universo acadêmico, temos obrigação de contextualizar e divulgar a metodologia aplicada, e de como os possíveis benefícios encontrados alcançarão condições de reprodutibilidade e repetibilidade.
Concordo plenamente com esta inquietude científica. Acontece que, para buscarmos previsibilidade de resultados em questões ligadas ao sentimento e relacionamento humano, devemos primeiro consultar a literatura científica localizada dentro de nós mesmos.
Podemos iniciar este mergulho interior, indexando papers (validados cientificamente) que enalteçam a primazia do ouvir, sobre o falar; do presente, sobre o ausente; do chegar, sobre o partir; e do altruísmo, sobre o egoísmo. É um bom começo!
Nesta Revisão da Literatura, sejamos simples, objetivos, e sempre focados no propósito de ser feliz. Busquemos trabalhos que identifiquem no sorriso e no abraço, evidências naturais de que nenhum sacrifício acontece em vão. Em Proposições, destaquemos apenas uma: confirmar que o amor é o principal meio de atingir a felicidade. Já em Material e Métodos, devemos usar instrumentos e questionários simples e sensíveis na identificação da prevalência do bem sobre o mal. Chegando a Resultados, podemos vibrar com a constatação da saúde vencendo a doença.
O capítulo Discussão pode ser suprimido uma vez que não haverá discordância frente à utilização do carinho, como antivírus do ódio; e da verdade como antídoto da mentira. Por fim, Conclusão confirma a nossa vocação para a felicidade, desde que sigamos amando ao próximo como a nós mesmos.
Finalizando, devo confessar haver escrito esse texto inspirado no convívio com meus alunos do curso de Odontologia da UFPB; especialmente com a querida turma de formandos 2010-1.
Não os menciono como forma de retribuir a honraria recebida em batizar a turma com o meu nome; mas sim pelo fato de ter aprendido com eles que posso, além de professor, também incorporar o meu alter-ego tio Lombardinho. Em dupla, fica bem mais fácil absorver as manifestações de amor, carinho, respeito e confiança sempre recebidas.
Também com eles voltei a respirar Fernando Pessoa quando profetizou: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.
Amo vocês! Sem esquecer, claro, de Alaíde e Rosa!
CD Ricardo Lombardi de Farias – tio Lombardinho
