O Brasil é conhecido como país do futebol, da música, e de mulheres bonitas possuidoras de belos bumbuns (artificiais ou não). Isso lá fora! Internamente, e pelos próximos dias certamente essa última referência sofrerá uma guinada; tanto de gênero, quanto de localização anatômica: a preocupação nacional agora é com as coxas do Kaká, e do Luis Fabiano.
A torcida é gigantesca para que nossos dois consagrados heróis se recuperem dentro dos vinte e um dias que antecedem o início do torneio. Inclusive, bem maior do que aquela que vibrou com a aprovação do ”Ficha Limpa” – projeto que atende ao clamor popular de colocar mais Ética na política.
Coincidência ou não, desde o governo Itamar Franco as copas do mundo de futebol vem sendo realizadas nos mesmos anos onde se verificam as eleições para os mais importantes cargos que comandam os destinos do país. Ainda bem; porque o evento esportivo de certa maneira nos alivia da assiduidade de convivermos com uma avalanche de “se eleito(a) eu prometo”, bem como o turbilhão de escândalos nossos de cada dia.
Temos obrigação de fazer bonito na África do Sul! Tomara que o Dunga também pense assim. Afinal, ocupamos o primeiro lugar no ranking da FIFA, e seremos os próximos anfitriões do evento. Sobre isso, devemos ir correndo ter aulas com os irmãos africanos que deram lições ao mundo de como se deve trabalhar na estruturação de condições físicas e funcionais, ao mesmo tempo em que superavam múltiplos desafios – inclusive de ordem cultural e preconceituosa. Esse troféu de superação ninguém tira deles, garanto!
Por aqui, ainda estamos “nas coxas” – perdoem-me o trocadilho. Sabemos que fomos eleitos para sediar 2014, em parte por conta de um critério da FIFA de estabelecer rodízio entre os continentes – condição (felizmente) já excluída pelo seu alto risco. Outra preocupação reside no elevado custo financeiro. O orçamento da África do Sul está ao redor de US$ 1,5 bilhão; enquanto que a previsão da versão brasileira encontra-se, hoje, 120% superior aos gastos africanos (!?).
E a farra já começou! Enquanto a bola, na África, ainda não rolou; por aqui abnegados empresários se dedicam a elaborar planilhas de custos financeiros de dezenas de estádios. Causa-me espanto verificar que alguns orçamentos de reforma saem mais elevados que outros de construção. Melhor nem imaginarmos como estão sendo elaboradas as projeções de gastos com: segurança, hospedagem, transportes, e outros itens correlacionados ao tema.
Acho melhor voltar ao meu analista para controlar essa mania de me antecipar aos fatos. Tenho mais é que vestir a camisa amarela, e torcer para que as coxas e panturrilhas dos nossos heróis permitam-lhes apresentar ao mundo em 11/07/2010, o primeiro (e único) hexa-campeão de futebol.
Pensar assim é bem melhor. Até porque, logo em seguida à copa virão as eleições brasileiras e, seja quem for o eleito (ou eleita) certamente saberá conduzir um belo trabalho que nos possibilite a “vingança de ’50”; convertendo-nos em hepta-campeões! Segura essa, Maradona!
Por último: recomendo um belo filme para ilustrar o presente texto – O ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hamburger, 2006).
CD Ricardo Lombardi de Farias

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