19
maio
10

saudosismo e modernidade

SAUDOSISMO e MODERNIDADE

Vou continuar acreditando que as gerações nascidas nas décadas de ’50 / ‘60 ( dentro da amostra) foram imensamente agraciadas com a oportunidade de vivenciarem, mais que as outras, grandes avanços científicos e tecnológicos que impuseram marcantes transformações culturais e sociais. Parece que nos famosos anos dourados as forças do universo, todas juntas, combinaram suas ações para modificar o ritmo e o grau da sua entropia.

Talvez o início de todo esse ”boom” tenha acontecido com o surgimento da televisão (’50). Além de provocar grandes mudanças nos meios de comunicação, a telinha também fez surgir novos hábitos e palavras; como televizinho, por exemplo. O que vem a ser?! Fácil de explicar, pois fui um deles: na casa que possuía televisão, na hora da novela mexicana ou do programa “balança… mas não cai!” (humorístico de muito sucesso) TODA a rua invadia a residência que tivesse o aparelho ligado. Várias vezes, como televizinho assumido, assisti a programas pelo lado de fora da casa exibidora pendurado na janela, junto com outros moleques. Guardo boas lembranças!

Também sobre o tema, cabe explicar: vizinho era uma condição de sadia amizade determinada pela proximidade física de moradia e boa freqüência de convivência. Hoje, produto em extinção – pena!

Tenho consciência do risco assumido ao escrever sobre um tempo já finito, atribuindo ao mesmo uma condição de destacada relevância no processo evolutivo. Até meus filhos me dariam um atestado de caduquice (será?!) caso eu tentasse convencê-los da importância da válvula e do transistor, tendo eles nascido na era dos chips.

Óbvio que não é minha intenção medir forças com os incontestes avanços da modernidade que; fascinado, busco acompanhar. O que defendo é o fato das décadas de ’50 / ‘60 terem possibilitado “descobertas e transformações” que, a partir delas, o inimaginável deu lugar ao imaginável.

Também não faço essa defesa deixando de reconhecer a importância dos anos que antecederam àquelas duas décadas. Afinal, uma das obras literárias mais prestigiadas naquele período (e até hoje), foi publicada em 1932 pelo visionário Aldous Huxley, autor do consagrado Admirável Mundo Novo.

O que importa destacar é o necessário cuidado preventivo com a aceleração dos batimentos cardíacos de pessoas que – como eu –  ouviram  a copa de ’66 pelo rádio (no módulo de ondas curtas) e, horas após, já conhecendo os resultados,  viram  os jogos por meio do moderno vídeo-tape;  a de ’70 já pôde contar com transmissão  ao vivo e em cores; e agora na África do Sul teremos a oportunidade de acompanhar os jogos em tempo real com Transmissão Digital 3D/HD. É a glória, Senhor!

Espero que meus filhos entendam a importância das válvulas e transistores em suas vidas. Graças a eles, seus avós se conheceram enquanto dançavam boleros, ao som de long-plays, gravados em vinil, e executados em radiolas Hi-Fi. Claro que foi nesse “embalo” que nascemos nós; seus pais.

Feliz de quem, como eu, agora parado dentro de um carro em um trânsito sempre engarrafado, sente saudades do velho bonde que, mesmo com seus trinta quilômetros por hora, jamais deixou de nos conduzir ao sonho de um admirável mundo novo. E melhor, espero!

CD Ricardo Lombardi de Farias


2 Respostas to “saudosismo e modernidade”


  1. Avatar de LIEGE CAMPOS SANTA CRUZ COSTA 1 LIEGE CAMPOS SANTA CRUZ COSTA
    19/05/2010 às 22:05

    EXPLÊNDIDO!!!!!!! RICARDO !!! PEGUEI O BONDE DO SEU SAUDOSISMO E MODERNIDADE E VIAJEI NO TEMPO E NO ESPAÇO…MAGNIFICAMENTE , COMO DIZIA CAZUZA QUE O TEMPO NÃO PARA E BELCHIOR , COMO OS NOSSOS PAIS E QUE DEVEMOS NOS PREPARAR PORQUE O NOVO SEMPRE VEM… BJS LIEGE

  2. Avatar de Guga 2 Guga
    21/05/2010 às 17:17

    Se não fosse o passado, não existiria futuro. O passado deve ser lembrado e respeitado.


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