ONTEM:
Nos anos 60, a Odontologia brasileira, seguindo o pensamento de muitas outras profissões, uniu esforços no sentido de criar os Conselhos de Odontologia. Todos nós sabemos que, àquela época, o Brasil convivia com uma intensa “inquietude político-social” determinada pela busca de uma forma de governo que melhor correspondesse aos anseios de sua população. Até a capital federal mudava de endereço: deixava o Rio de Janeiro em troca de uma recém nascida Brasília.
Em 14 de abril de 1964 (duas semanas após o golpe militar) foi sancionada a Lei n0 4.324 que criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Odontologia; constituídos em seu conjunto sob a forma de uma Autarquia. Cada um deles ficou dotado de personalidade jurídica e de direito público, com autonomia administrativa e financeira e com a finalidade de supervisionar a ética profissional em toda a República, cabendo-lhes zelar pelo perfeito desempenho ético da Odontologia e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exercem legalmente. (Fonte: http://cfo.org.br/historico/).
Seguindo a evolução deste sistema organizacional, os dentistas da Paraíba, passaram a fazer parte deste colegiado federal com a criação, em 1967, do CRO/PB. Apesar de empreender esforços, lamento não ter conseguido obter a informação de quantos odontólogos atuavam na Paraíba naquele ano. Suponho que menos de 100/120 profissionais.
Com 43 anos de existência, o nosso egrégio CRO/PB, sem dúvida alguma, participou de importantes conquistas da Odontologia paraibana e brasileira. Impossível não reconhecer que lideranças da estirpe de um Péricles Gouveia; um João Cavalcante; um Odísio Duarte, dentre muitos outros, não imprimissem – com cristalina visão de futuro – avanços para a nossa classe, com a salutar (e sempre desejada) transferência de respeitabilidade perante a sociedade.
HOJE:
Sendo apenas um, dentre os 3.128 CD’s cadastrados no CRO/PB, confesso que estou indignado com a falta de sintonia entre: de um lado, o processo eleitoral que normatiza o direito de escolha dos representantes da nossa principal organização de classe; e do outro, um Brasil que luta para manter consolidada e sempre pujante a Liberdade e o estado democrático de direito dos seus cidadãos.
Fica impossível entender quando lemos que os CRO’s possuem autonomia administrativa, financeira, e defendem os valores Éticos da profissão. Concordo que o discurso é bonito! Pena que, na prática, vivenciamos inúmeras atitudes arbitrárias, sombrias e tendenciosas, que ferem a dignidade e o livre direito de escolha de uma categoria profissional em pleno século XXI.
Três delas: 1- a não realização de um debate (franco e aberto) entre as chapas concorrentes ao CRO/PB; 2- o impedimento de acesso aos eleitores, com a recusa na entrega da listagem dos colegas aptos ao voto (faltam 10 dias para as eleições); 3- a manutenção (já com o envio de cédulas) do famigerado voto por correspondência.
Sou adepto de um “bom combate”. Quando ele existe, dá-me prazer observar atitudes diplomáticas entre defensores de idéias/propostas antagônicas. Como isso está longe de ser observado no atual pleito, confesso não estar mais preocupado com o resultado das eleições. Perdeu o encanto! Para mim, torna-se mais gratificante, além de prioritário, LUTAR para que esta seja a última eleição onde ainda trafegue o espírito caduco de 1964.
AMANHÃ:
Se quisermos, certamente será melhor!
CD Ricardo Lombardi de Farias